Síndrome de Down e os cuidados ortopédicos

A síndrome de Down é a trissomia (presença de um terceiro cromossomo) mais frequente e mais fácil de ser reconhecida. Ocorre em cerca de 1 a cada 600 a 800 nascidos vivos, mas a incidência pode aumentar de acordo com a idade da gestante, chegando a cerca de 1 a cada 50 nascimentos em mães com mais de 45 anos. Em crianças com síndrome de Down, além do atraso no desenvolvimento motor, outras características ortopédicas também são comuns. As mais evidentes são a hipotonia, menor estatura e maior flexibilidade das articulações. Com o tempo, o tônus ​​muscular tende a melhorar, mas a frouxidão articular permanece e pode levar a algumas condições frequentes, tais como displasia do quadril, hipermobilidade da coluna cervical, instabilidade patelar e pé plano.

O quadril, mesmo quando normal ao nascimento, pode evoluir com displasia progressiva e luxação da articulação. O problema é assintomático no início, mas pode gerar dor crônica e prejudicar a marcha se não diagnosticado e tratado corretamente. Considerando também outras possíveis alterações, cerca de 7,9% da população pediátrica com síndrome de Down apresenta anormalidades do quadril.

O pé plano valgo (pé chato), apesar de muito comum, geralmente não requer tratamento quando assintomático. O uso de palmilhas pode ajudar em alguns casos e a cirurgia raramente é necessária.

A instabilidade entre a patela e o fêmur pode causar dor, levando à sensação de falha do joelho, com quedas e episódios de luxação da patela. Exercícios de fortalecimento do quadríceps e uso de estabilizadores de patela podem ser benéficos para alguns pacientes. A cirurgia é indicada nos casos de luxação recorrente ou habitual.

A hipermobilidade da coluna cervical está presente em cerca de 15% das crianças com síndrome de Down. É uma condição normalmente assintomática, mas que gera maior preocupação principalmente em pacientes envolvidos em esportes com risco elevado de trauma. Apesar de rara, existe a possibilidade de lesão medular grave com o trauma esportivo.

Uma avaliação com o ortopedista pediátrico é fundamental para esses pacientes. Mesmo quando silenciosas, algumas alterações podem exigir atenção, cuidados especiais, precisar de tratamento fisioterápico e/ou cirúrgico.

Para discutir sobre esse e outros assuntos, acontece nos dias 19 e 20 de outubro o XXI Simpósio de Ortopedia da Rede Mater Dei de Saúde / II Simpósio Internacional de Doenças Neuromusculares. O evento é voltado para médicos, profissionais de reabilitação, residentes e acadêmicos. Acesse http://www.opsload.com.br/ortopedia/ saiba mais e faça sua inscrição.

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